Santa Teresa atrai cada vez mais pessoas com seu charme e roteiros alternativos

segunda-feira, 14 de março de 2011 08:43 Postado por Mente Retrô
Santa Teresa tem uma atmosfera especial. Falo para as pessoas que esta é minha cidade do interior, onde todos se conhecem, você pode tomar cerveja na calçada com os amigos... Quando me perguntam se o bairro é perigoso, eu respondo: é mesmo, me deixa sozinho por lá!”, brinca o sambista e morador Moyseis Marques, 32 anos, enquanto caminha pelos trilhos do bondinho que corta o bairro.

Apesar do desejo do músico de manter secreto seu ‘cantinho provinciano’, com a pacificação e a implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) na região, no início de fevereiro, Santa Teresa está resgatando seus tempos áureos de reduto da arte e da boemia carioca.


Pontos turísticos que andavam abandonados, como o Parque das Ruínas e o Largo das Neves, voltaram a ser disputados por visitantes e até mesmo por moradores. Que o diga a cantora Amy Winehouse, que, na contramão de estrelas internacionais que se hospedam na Zona Sul, optou pela suíte 51 do chique, porém discreto, Hotel Boutique Santa Teresa Relais & Chateaux.

Novos estabelecimentos também estão dando ainda mais charme ao local, como o recém-reaberto Café das Ruínas, com seu concorrido café da manhã com vista para a Baía de Guanabara. Para a turma fashion, há endereços imperdíveis como o Eu Amo Vintage, loja que trabalha com vintage original, e a Rasgando Pano, especializada em moda alternativa e acessórios.

“Eu moro aqui há 9 anos e sei que, quem mora em Santa, admira o bairro e não quer sair daqui. A UPP é importante para desmitificar a ideia de que esta é uma região violenta. Assim, quem tinha medo de vir, passa a frequentar o bairro”, torce Débora Niemeyer, dona da Eu Amo Vintage. “Dá para notar que Santa está mais movimentada. Eu volto andando para casa às 3h da manhã bem mais tranquila agora”, conta a atriz Jéssica Barbosa, moradora do bairro há 4 anos.

Conhecida como a ‘Montmartre Carioca’ — classificação dada pelo governador Sérgio Cabral em referência ao bairro parisiense que abriga artistas e bares —, Santa Teresa reúne cerca de 100 ateliês, além de bares, restaurantes, cafés, lojinhas de artesanato, brechós e museus. Sem falar nos charmosos bondes, tombados como patrimônio histórico e símbolos da região, que têm inclusive um museu para chamar de seu.

“O bondinho é o coração do nosso bairro. Santa é uma tristeza sem o bonde”, explica o artista plástico Getúlio Damado que fez seu ateliê dentro de um ‘amarelinho’. Sobre o bairro, o artista é só elogios. “O carisma da comunidade é o encanto do local. Quem vem a primeira vez, volta”, diz. Santa Teresa agradece.

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